Black Friday: 64% rejeitam IA quando loja tem reputação ruim
Na Black Friday 2026, 64% dos consumidores descartam sugestões de IA quando a loja tem reputação ruim, mostra pesquisa com 2.161 pessoas.
A inteligência artificial deve ganhar espaço na Black Friday 2026 como ferramenta para pesquisar e comparar produtos. A decisão de compra, porém, continua ligada à confiança: 64% dos consumidores disseram que descartariam uma sugestão de IA ao descobrir que a loja tem reputação ruim.
O dado vem de uma pesquisa do Reclame AQUI com 2.161 consumidores. As entrevistas foram realizadas online entre 21 e 26 de agosto, com grau de confiança de 95% e margem de erro de dois pontos percentuais.
IA ajuda a comparar, mas não decide sozinha
No levantamento, 87% afirmaram que pretendem usar inteligência artificial durante as compras da data. Entre esse grupo, 46% preveem um uso pontual e 41% dizem que devem recorrer à tecnologia de forma intensa.
A finalidade mais citada, por 71%, é comparar especificações técnicas e modelos. Outros 44% pretendem usar assistentes para procurar cupons e preços menores. A ferramenta pode reunir opções e resumir diferenças, mas o resultado deve ser tratado como ponto de partida, não como ordem de compra.
Apenas 15% aceitariam deixar a IA escolher a loja ou o vendedor. Só 4% seguiriam uma recomendação sem fazer uma conferência própria. A distância entre pesquisa e decisão mostra que a automação ainda encontra um limite claro quando o pagamento e a entrega estão em jogo.
Reputação pesa mais que a recomendação
A reputação ruim foi o principal motivo para rejeitar uma sugestão automatizada, citada por 64% dos participantes. Outros sinais também geram desconfiança: preço baixo demais apareceu para 43%, direcionamento a um site desconhecido para 38% e exigência de pagamento apenas por Pix ou boleto para 31%.
Esses indicadores não provam, isoladamente, que uma oferta é fraudulenta. Eles funcionam como alertas para reforçar a verificação do endereço, da identidade do vendedor e das condições de pagamento antes de qualquer transferência.
Buscadores tradicionais e o Reclame AQUI aparecem empatados, com 55%, como pontos de partida para checar empresas e ler reclamações. Assistentes de IA foram citados por 19% nessa etapa de verificação.
Golpes produzidos com IA preocupam consumidores
A pesquisa mostra que 88% têm muito medo de golpes gerados com inteligência artificial, como páginas clonadas e anúncios hiper-realistas. Ao mesmo tempo, 63% admitem que não conseguem identificar quando uma oferta falsa foi produzida com essa tecnologia.
Uma imagem bem-feita ou uma resposta convincente não comprovam que a loja existe. Golpistas podem reproduzir cores, logotipos, avaliações e até atendimentos para simular uma operação legítima. Por isso, a checagem deve acontecer fora do anúncio recebido.
O endereço do site precisa corresponder ao domínio oficial da empresa. Caracteres extras, erros de grafia e subdomínios estranhos podem sinalizar uma página clonada. Abrir o aplicativo já instalado ou digitar o endereço conhecido reduz o risco de seguir um link adulterado.
Como verificar uma loja antes da compra
O primeiro passo é pesquisar o nome da empresa em mais de uma fonte. Reclamações recentes, respostas do vendedor, avaliações de consumidores e tempo de existência do domínio ajudam a formar um quadro mais completo.
No pagamento por Pix, o nome e o documento do recebedor devem corresponder à empresa ou ao vendedor informado na compra. Um destinatário sem relação com a loja é motivo para interromper a transação e procurar o atendimento oficial.
Também é importante conferir se o preço final inclui frete, juros e outras cobranças. Uma oferta pode parecer melhor na busca e perder vantagem quando esses custos são somados. Políticas de troca, prazo de entrega e canais de suporte devem estar acessíveis antes do pagamento.
Preço continua decisivo, mas não age sozinho
Na escolha final, o preço foi o fator mais citado, por 67%. A reputação da empresa apareceu em seguida, com 28%, próxima da segurança da navegação contra golpes e fraudes, com 26%.
O frete pesou para 25%, as avaliações de outros consumidores para 22% e as condições de pagamento para 20%. A comparação mais útil, portanto, precisa considerar o custo total e o risco, não apenas o número destacado no anúncio.
O levantamento também aponta que 62% estão dispostos a testar lojas nas quais nunca compraram. Essa abertura aumenta a concorrência, mas torna a verificação ainda mais importante, especialmente quando a empresa é desconhecida e a oferta chega por redes sociais ou mensagens.
Onde a IA pode ajudar com segurança
Assistentes podem criar listas de critérios, reunir especificações e ajudar a calcular o custo total. Também podem lembrar o consumidor de verificar garantia, devolução, reputação, prazo e formas de atendimento.
Eles não devem ser usados para gerar continuamente novos links de compra nem para superar um alerta de segurança. Se a resposta indicar um vendedor desconhecido, a pesquisa deve ser refeita com o nome da empresa e o endereço oficial.
Os dados mostram que a IA entra na Black Friday como atalho para informação, mas não como substituta da confiança. O uso mais seguro combina comparação, checagem da loja e revisão do pagamento antes de concluir o pedido.