Anjun prevê reduzir entregas internacionais no Norte

Anjun planeja investir R$ 220 milhões em logística no Brasil e prevê reduzir prazos e custos de entregas internacionais no Norte do país.

Anjun prevê reduzir entregas internacionais no Norte

A Anjun iniciou a descentralização de sua operação logística no Brasil, com planos para ampliar a entrada e a distribuição de compras internacionais por Recife, Brasília e Manaus. A empresa chinesa afirma que o novo desenho pode encurtar em até três semanas o prazo de entrega na região Norte.

O movimento integra um plano de R$ 220 milhões em investimentos no país até 2027. A proposta é aproximar o desembaraço aduaneiro do destino final e reduzir a dependência de São Paulo como principal porta de entrada das encomendas atendidas pela companhia.

O que muda no caminho das encomendas

No modelo atual descrito pela empresa, boa parte das compras internacionais entra no Brasil por São Paulo antes de seguir para outras regiões. Uma encomenda destinada a Manaus, por exemplo, percorre milhares de quilômetros adicionais depois de chegar ao país.

Com recintos alfandegados mais próximos do consumidor, a Anjun pretende eliminar etapas desse trajeto. Recife deve iniciar a operação em outubro, Brasília está prevista para o fim do mesmo mês e Manaus depende da conclusão de reformas no terminal do aeroporto para começar até o fim de 2026.

As datas e os ganhos de prazo são previsões da companhia, não garantias individuais para todos os pedidos. O tempo efetivo continuará sujeito à origem da mercadoria, à fiscalização aduaneira, ao endereço de destino e à capacidade de transporte em cada rota.

Prazo previsto para Manaus

Segundo Tony Fang, presidente-executivo da Anjun no Brasil, uma encomenda internacional leva atualmente entre 15 e 25 dias para chegar a Manaus. Com o desembaraço e a distribuição realizados localmente, a estimativa é reduzir esse prazo para cerca de dois dias úteis na capital.

Nas cidades do interior atendidas por transporte fluvial, a projeção é de aproximadamente cinco dias. A diferença é relevante para consumidores que hoje enfrentam prazos longos após a mercadoria já ter entrado no Brasil.

A comparação também ajuda a explicar por que a descentralização pode ter impacto maior no Norte do que em regiões próximas aos centros de distribuição do Sudeste. Ao evitar o retorno da carga de São Paulo para Manaus, a operação retira uma etapa extensa do percurso nacional.

Empresa também projeta frete menor

A Anjun estima que o transporte de um pacote de um quilo de São Paulo a Manaus custe hoje entre R$ 25 e R$ 30. Se a carga chegar diretamente à capital amazonense, a etapa local de entrega poderia ficar abaixo de R$ 10, conforme projeção divulgada pela empresa.

Isso não significa que todo consumidor terá automaticamente esse preço no checkout. O valor final depende do contrato entre a transportadora, o vendedor e a plataforma de comércio eletrônico, além do peso, das dimensões, da origem e do endereço de entrega.

Para avaliar uma compra internacional, o consumidor deve observar o custo total apresentado antes do pagamento, incluindo produto, frete, tributos e eventuais tarifas. Também é importante conferir a estimativa de entrega e guardar o comprovante das condições anunciadas.

Como os R$ 220 milhões serão distribuídos

Do total previsto até 2027, R$ 100 milhões serão destinados à unidade aeroportuária. Os recursos incluem equipamentos exigidos para os recintos alfandegados, como máquinas de raio X, e sistemas automatizados de triagem.

Os outros R$ 120 milhões devem financiar a expansão da entrega expressa. A companhia também pretende ampliar a capacidade para volumes maiores, indo além dos pequenos pacotes que hoje concentram sua operação.

Cada um dos três novos galpões deve empregar cerca de 150 pessoas em dois turnos. A estimativa da empresa é gerar entre 400 e 500 empregos diretos e aproximadamente 1,5 mil postos indiretos, principalmente entre transportadores e entregadores.

Impacto depende da execução

Prazo e frete estão entre os fatores que podem levar o consumidor a abandonar uma compra online. Se as operações forem implantadas no calendário divulgado e os ganhos chegarem ao preço e ao prazo informados no checkout, a mudança tende a tornar compras internacionais mais previsíveis para clientes fora do eixo Sul-Sudeste.

O benefício, porém, deve ser acompanhado pedido a pedido. Uma estimativa operacional da transportadora não substitui a data prometida pelo vendedor. Em caso de atraso, o consumidor deve registrar os contatos com a plataforma e buscar os canais oficiais de atendimento.

A descentralização anunciada pela Anjun representa uma mudança relevante na infraestrutura das compras internacionais. O resultado concreto para quem compra dependerá da abertura das unidades, da integração com marketplaces e vendedores e da transparência das condições oferecidas ao público.

Fontes consultadas