Criadores já influenciaram compras de 76% dos seguidores
Estudo do IAB Brasil com 1.512 pessoas revela como vínculo, transparência e detalhes reais moldam compras influenciadas por criadores.
Três em cada quatro brasileiros que acompanham influenciadores ou criadores de conteúdo já compraram um produto depois de uma recomendação nas redes sociais. O dado mostra a força desse canal na descoberta de itens, mas também revela que o número de seguidores, sozinho, não garante confiança.
O resultado integra o estudo #Publi 2026: influência além dos seguidores, do Comitê de Creator Economy do IAB Brasil, realizado pela Offerwise. A pesquisa ouviu 1.512 pessoas que acompanham criadores no Brasil entre 11 e 19 de agosto de 2026. O questionário foi aplicado online e a margem de erro informada é de três pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%.
Vínculo pesa mais que audiência
Entre os participantes, 76% disseram já ter comprado algum produto após ver uma recomendação de um criador. A proporção chegou a 80% entre pessoas de 25 a 34 anos, 79% entre mulheres e 86% na classe A. Nas classes D e E, ficou em 63%.
A confiança, porém, varia conforme a relação com quem faz a indicação. Quase metade dos entrevistados deu notas nove ou dez para recomendações de criadores que já acompanha. O índice caiu para 23% quando o perfil foi sugerido pelo aplicativo e para 21% quando o criador era totalmente desconhecido.
O tamanho da audiência produziu uma diferença menor. A parcela com confiança elevada variou de 23% para perfis nano e micro a 29% para celebridades com mais de 5 milhões de seguidores. Para o consumidor, isso indica que familiaridade, histórico e coerência podem ser mais úteis do que alcance bruto na hora de avaliar uma indicação comercial.
Como os produtos entram no radar
As áreas de recomendação das plataformas ampliam o contato com perfis que o usuário ainda não segue. Segundo o levantamento, 69% veem com frequência ou sempre esse tipo de conteúdo em espaços como “Para Você”, Reels e Explorar. Entre adolescentes de 14 a 17 anos, a proporção alcança 80%.
Seis em cada dez entrevistados já se interessaram ao menos algumas vezes por um item apresentado por um criador que não acompanhavam. Ainda assim, a busca feita pelo próprio consumidor permanece como principal caminho para encontrar produtos novos, citada por 55% da amostra. Anúncios de marcas aparecem com 43%, e recomendações de amigos e familiares, com 42%.
O dado reforça que conteúdo e pesquisa não são etapas concorrentes. Uma publicação pode apresentar o produto, enquanto a decisão final depende de comparação de preço, avaliações, características, prazo de entrega e reputação da loja.
Publicidade forçada reduz a confiança
Entre os participantes menos influenciados por criadores, 27% apontaram como principal barreira a sensação de que o conteúdo parecia forçado ou publicitário demais. Exageros sobre o que o produto entrega foram citados por 25%, enquanto falta de autenticidade e de transparência apareceram entre os motivos de desconfiança.
Na direção oposta, 76% disseram confiar mais quando a apresentação inclui detalhes reais do produto, até mesmo possíveis defeitos. Cuidado na escolha das marcas e conhecimento sobre o tema foram citados por 73% cada. A percepção de uma recomendação espontânea chegou a 71%.
Esses resultados ajudam a separar informação útil de entusiasmo promocional. Demonstrações, testes e explicações sobre limites do produto oferecem elementos mais concretos para a comparação do que mensagens centradas apenas em urgência ou elogios.
O que conferir antes de comprar
Uma recomendação pode servir como ponto de partida, mas não substitui a verificação independente. Antes de concluir a compra, vale conferir quem vende o item, preço total com frete, prazo de entrega, garantia, devolução e avaliações em mais de uma fonte.
Também é importante identificar se o conteúdo tem caráter publicitário, parceria ou remuneração. A sinalização não invalida a indicação, mas fornece contexto para que o consumidor avalie possíveis interesses envolvidos.
O estudo retrata pessoas que já acompanham criadores e não deve ser lido como uma medida de toda a população brasileira. Dentro desse grupo, a conclusão prática é clara: credibilidade se constrói com vínculo, transparência e informação verificável, e não apenas com uma audiência numerosa.