Renner lança assistente de IA para montar looks no aplicativo
Renner lança a Re, assistente de IA no aplicativo para sugerir looks, comparar produtos, organizar compras e experimentar peças virtualmente.
A Renner lançou uma assistente de inteligência artificial voltada à compra de moda dentro de seu aplicativo. Chamada Re, a ferramenta ajuda a encontrar peças, montar looks, comparar produtos, definir um orçamento e organizar a sacola em uma conversa. A primeira etapa alcança mais de 2 milhões de clientes da varejista.
A novidade tenta reduzir uma dificuldade comum no comércio eletrônico de roupas: transformar uma necessidade subjetiva, como escolher o que vestir em determinada ocasião, em filtros e produtos concretos. O consumidor pode interagir por texto, voz ou imagem e receber sugestões baseadas no contexto apresentado.
Como funciona a assistente Re
A ferramenta aceita pedidos como montar uma combinação para um casamento, preparar uma mala de viagem, escolher um presente ou localizar uma peça semelhante à de uma fotografia. Ela também considera informações de estilo, preferências e histórico de relacionamento com a marca para orientar as respostas.
Além da recomendação, a Re permite consultar preços e prazos de entrega, comparar itens e alterar a sacola sem sair da conversa. Depois da escolha, o cliente pode optar pela entrega em casa ou pela retirada em uma loja física, conforme as alternativas disponíveis para o pedido.
A assistente inclui uma experiência de prova virtual baseada em uma fotografia enviada pelo usuário. Esse recurso busca dar uma referência visual antes da compra, mas não substitui informações objetivas como tabela de medidas, composição do tecido, caimento descrito e política de troca.
Primeira fase atende mais de 2 milhões de clientes
O desenvolvimento começou no início de 2026. Antes da abertura ao público, a solução passou por uma fase beta com 2,5 mil colaboradores da empresa. A varejista afirma que usou as sugestões desse grupo para ajustar a experiência.
A Renner construiu uma plataforma própria integrada a seus dados e sistemas internos, embora utilize modelos de linguagem disponíveis no mercado. A estrutura foi planejada para receber novos agentes e funções nos canais digitais da companhia.
Nesta fase inicial, a empresa acompanha a frequência de uso, os tipos de pergunta, as formas de interação e as sugestões recorrentes. A fabricante do serviço não divulgou, na informação consultada, uma data para que toda a base de clientes tenha acesso.
O que muda na jornada de compra
Buscas tradicionais exigem que o usuário já saiba como nomear uma categoria, uma cor ou um tipo de produto. Uma conversa pode começar pela ocasião, pelo orçamento ou por uma imagem. Isso cria um caminho diferente para chegar ao catálogo e pode diminuir o número de telas percorridas.
Ao mesmo tempo, uma recomendação automatizada não deve ser confundida com uma avaliação neutra de todo o mercado. A ferramenta opera dentro do ambiente da própria varejista e apresenta itens disponíveis no ecossistema da marca. Comparar preço, material, prazo e condições continua sendo responsabilidade do consumidor.
A possibilidade de adicionar e remover produtos pela conversa aproxima descoberta e checkout. Por isso, o resumo final do pedido ganha importância. Antes de concluir, o cliente deve revisar tamanho, cor, quantidade, endereço, modalidade de entrega e valor total.
Dados e prova virtual exigem atenção
Interações por voz, imagem e histórico ampliam a quantidade de informações envolvidas na personalização. A Renner afirma que o projeto foi desenvolvido considerando a Lei Geral de Proteção de Dados e suas políticas internas de governança.
Para usar uma fotografia na prova virtual, o consumidor deve consultar as explicações apresentadas no aplicativo sobre finalidade, armazenamento e exclusão. Também vale limitar o envio ao necessário e evitar imagens que exponham documentos, outras pessoas ou informações sensíveis ao fundo.
Resultados visuais gerados por inteligência artificial são aproximações. Iluminação, posição do corpo e características da fotografia podem alterar a percepção de cor, proporção e caimento. A decisão de compra deve combinar essa visualização com as informações técnicas do produto.
Personalização entra no aplicativo de varejo
A Re mostra como assistentes conversacionais estão saindo do atendimento básico para ocupar etapas de descoberta e escolha. No varejo de moda, o teste será medir se a conveniência melhora a decisão sem esconder informações nem criar recomendações repetitivas.
A empresa diz que esta é a primeira etapa e prevê novos recursos nos próximos meses, sem detalhar todas as expansões. Para os clientes já incluídos, a utilidade dependerá da qualidade das sugestões, da clareza sobre o uso de dados e da capacidade de corrigir rapidamente uma recomendação inadequada.